Caetano Veloso aos 17 anos: Sobre Ser Professor

Há uns 30 anos ganhei a cópia de uma redação escrita por Caetano Veloso. O texto é de 03 de julho de 1959. Àquela época Caetano tinha 17 anos, morava em Santo Amaro da Purificação, Recôncavo da Bahia, e estudava no Ginásio Teodoro Sampaio. Pensar nisso me ajuda a ter atenção e curiosidade por qualquer adolescente e sempre lembrar que é dali que sairá o que pode “lançar mundos no mundo”.

É muito bom saber, pelas letras de Caetano, que ele ainda carrega aquela vida Santoamarense dentro de si: “O melhor o tempo esconde, longe, muito longe,/ Mas bem dentro aqui”. Enquanto muitos buscam esquecer de onde vieram, Caetano declara: “Bonde da Trilhos Urbanos vão passando os anos/ E eu não te perdi, meu trabalho é te traduzir”.

E você? Perdeu o Bonde da Trilhos Urbanos? Traduz alguma coisa ou apenas recebe traduções?

A redação foi uma prova de português do professor Nestor Oliveira e o estudante ganhou 10. Parecer do professor: “Excelente prova, pode servir de modelo, quanto à estrutura, quanto à substância.”

Vamos à Redação:

“Ensinar, tirar de dentro de nós mesmos, o que sabemos, o que conseguimos angariar de bom na vida. Se procuro hoje atentar para as coisas dignas é porque quero, amanhã, transmitir para alguém o que sei. Ensinar é a profissão que nos aproxima de Deus. Quem foi Deus, quem é Deus senão um mestre? Ensinar não é uma profissão, ensinar é uma arte. O ensino necessita da justiça de um verdadeiro juiz, da pureza de um verdadeiro sacerdote, da paciência de um verdadeiro médico. O professor é um médico espiritual, cura os erros do intelecto, livra a alma da ignorância. O ensino é uma profissão espiritual. O professor é o guia que nos leva pelos caminhos cheios de beleza, da ciência.
Que imensa beleza, que enorme da ciência. Que enorme beleza existe no fato de um mestre tirar a dúvida de um aluno, de um professor ensinar uma coisa nova a um aluno, de um professor ser justo e compreensivo.”
“Ensinar… a milagrosa arte que abre largos horizontes na vida dos jovens.”
“Ensinar… o milagre que transforma um homem num artista.”

 

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