Ao Reitor Fábio Josué e à comunidade da UFRB

“Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamim Franklin, ‘tempo é dinheiro’. Isso é uma monstruosidade. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo”

Antonio Candido

 

Considero o meu dever exortar a Comunidade Acadêmica da UFRB a se unir em torno da liderança do Professor Fábio Josué. Não há dúvidas de que a conjuntura desenha um hercúleo desafio ao nosso professor, mas, ao mesmo tempo, sou testemunha da sua capacidade técnica e política. Tive a oportunidade de conhecer  Fábio ainda nos eventos que organizamos em prol da conquista da UFRB, nos primeiros anos desse século. Nessa época, Fábio já era um jovem professor universitário e, residindo em Amargosa, se integrou como poucos àquela campanha que para muitos era apenas um sonho. A descrença era razoável, o nosso Recôncavo, que reivindicava uma universidade desde 1822, já havia perdido as suas oportunidades históricas ao não aproveitar ciclos econômicos (como a cana de açúcar e o petróleo) ou ciclos de criação de instituições como aqueles que transformaram diversas instituições agrarias em universidades.  De fato, todas as regiões brasileiras com a importância estratégica do Recôncavo foram dotadas de uma rede de instituições, inclusive no campo educacional muito antes que a nossa. Nem mesmo a presença da primeira instituição de ensino superior em ciências agrárias da América do Sul foi suficiente para o desenho de outra trajetória – ao contrário, a nossa Escola de Agronomia foi um dos poucos casos de instituições de ensino agrário absorvida por outra cuja sede era a capital do Estado.

A UFRB é a maior universidade federal dentre aquelas criadas no ciclo de expansão do REUNI – Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, que durou de 2005 a 2016. Atualmente a UFRB conta cerca de doze mil estudantes de graduação e pós-graduação e 910 docentes, sendo 61% doutores e 30% mestres. O quadro técnico da universidade se completa com 704 técnico-administrativos. Possui hoje 55 cursos de graduação nas diferentes áreas do conhecimento. Adicionalmente, na dimensão da pós-graduação, essa universidade possui 17 cursos de mestrado e doutorado, 11 cursos de especializações e 02 residências. Dentre os programas de pós-graduação stricto sensu, 04 são da área de educação e mais 04 cursos desse campo são pós-graduações lato-sensu.

A UFRB possui IGC 4,0 (Índice Geral de Cursos – Graduação e pós-graduação), na escala de 0 a 5, como indicador do INEP/MEC. Em 2013 a instituição recebeu o 11º Prêmio Destaque do Ano na Iniciação Científica e Tecnológica, categoria Mérito Institucional 2013, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Vale dizer, esta categoria premia a instituição participante do programa de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) com o maior índice de egressos titulados na pós-graduação.

O sacrifício que a nossa geração fez para construir esse legado, hoje entregue à “Geração Fábio Josué” foi fundamental para que o Governo Federal não tivesse coragem de ultrapassar alguns limites legais que destruiriam a nossa autonomia e comprometeriam profundamente o nosso futuro como universidade.

O Reitor Fábio Josué ao representar a solução do impasse às ameaças que pairavam sobre a nossa autonomia assume como um raro consenso de toda comunidade acadêmica e da comunidade baiana.

Não tenho dúvidas de que ele está preparado para os imensos desafios que enfrentará nos próximos anos. E também não tenho dúvidas que, ao final, entregará uma instituição ainda mais sólida.

A Fábio, meu Magnífico Reitor, aconselho manter sempre por perto alguma poesia, ela é fundamental para lembrar que para além de toda a burocracia um Reitor deve ser sempre um farol civilizatório. Como sugestão para esses primeiros dias indico, fortemente o poema Invictus, de William Ernest Henley: “…Não importa quão estreita a passagem, Quantas punições ainda sofrerei, Sou o senhor do meu destino, E o condutor da minha alma.”

 

 

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